
Direito do Trabalho
Fim da escala 6x1: entenda as novas regras, as datas e o papel dos sindicatos
Por Denize Tonelotto · 23 de outubro de 2026
Se você trabalha seis dias e folga apenas um, essa mudança importa para você.
A Emenda Constitucional nº 141/2026 altera as regras sobre jornada e descanso no Brasil. Ela reduz, aos poucos, o número máximo de horas de trabalho por semana e aumenta o tempo de folga, sem permitir redução de salário.
O que muda na prática?
Hoje, a jornada pode chegar a 44 horas por semana. Com a nova regra, esse limite vai cair até chegar a 40 horas semanais.
A mudança acontecerá em duas fases:
- A partir de 16 de dezembro de 2026, a jornada máxima será de 42 horas por semana.
- A partir de 16 de dezembro de 2027, o máximo será de 40 horas por semana.
O salário não pode ser reduzido por causa dessa diminuição de horas.
E as folgas?
A partir de 16 de dezembro de 2026, a Constituição passa a prever dois dias de descanso remunerado por semana. Um deles deve ser, de preferência, no domingo.
Em termos simples: a regra deixa de ser trabalhar seis dias para descansar apenas um.
Essa mudança é importante para trabalhadores de áreas em que a escala 6x1 é muito comum, como comércio, supermercados, shoppings, restaurantes, hotéis e serviços em geral.
Os sindicatos podem mudar as regras e manter a escala 6x1?
Não podem ignorar a nova regra.
Sindicatos e empresas não podem decidir que a jornada continuará em 44 horas, cortar salário ou retirar o direito ao descanso previsto na Constituição.
Mas eles podem conversar sobre como organizar as escalas. Isso é especialmente necessário em locais que não podem parar, como hospitais, transporte, segurança e restaurantes.
Por exemplo, um acordo coletivo pode organizar as folgas de forma diferente em razão de plantões ou turnos. Mesmo assim, a empresa precisa garantir descanso suficiente: a regra é que, ao longo do mês, a média seja de dois dias de folga remunerada por semana. E o trabalhador deve ter pelo menos um dia de descanso em cada semana de trabalho.
Isso equivale a dizer que não serão sábados e domingos de folga seguidos como foi divulgado na mídia. Quem define as folgas é a empresa.
Ou seja: o sindicato, por meio de acordo ou convenção coletiva, pode ajudar a definir como a escala será feita, mas não pode acabar com o novo direito.
Quem já trabalha 40 horas por semana terá menos horas?
Não necessariamente.
Quem já trabalha 40 horas ou menos não terá uma nova redução automática de jornada. Mas a empresa deverá observar a nova regra sobre as folgas.
O que empresas precisam fazer?
As empresas precisam rever suas escalas antes de dezembro de 2026. Isso inclui verificar horários, folgas, controle de ponto e acordos com sindicatos.
A ideia é evitar que a mudança seja feita às pressas ou que o trabalhador perca direitos.
Em resumo
A escala 6x1 deixa de ser a regra geral. A partir de 16 de dezembro de 2026, a jornada máxima cai para 42 horas por semana e começa a valer a nova regra sobre descanso. Em 16 de dezembro de 2027, a jornada máxima será de 40 horas.
Em atividades que funcionam sem parar, como hospitais, portarias e segurança, a escala 12x36 pode ser uma alternativa. Ela pode atender à fase inicial de 42 horas semanais, mas, quando o limite cair para 40 horas, empresas e sindicatos precisarão avaliar ajustes na escala ou a concessão de folgas adicionais.
O salário não pode diminuir. Sindicatos podem negociar a organização das escalas, mas não podem retirar os direitos garantidos pela Constituição.

