
Direito Civil
Sepultamento de cães e gatos em túmulos de família agora é lei em São Paulo: o que muda na prática?
Por Denize Tonelotto · 20 de fevereiro de 2026
Por muito tempo, a despedida de um animal de estimação foi um tema sem tratamento claro na lei. As famílias lidavam com poucas alternativas, muitas dúvidas e, não raras vezes, com a dor somada à clandestinidade de sepultamentos irregulares.
Esse cenário mudou drasticamente em São Paulo.
O Governo do Estado sancionou neste mês (fevereiro de 2026) a lei que autoriza o sepultamento de cães e gatos em jazigos pertencentes aos seus tutores ou familiares, tanto em cemitérios públicos quanto privados.
A norma, que ficou conhecida popularmente como Lei Bob Coveiro, representa um avanço histórico no reconhecimento do vínculo afetivo entre pessoas e seus animais de estimação.
Bob Coveiro: quem foi a inspiração para essa lei?
A inspiração veio de um caso real e comovente: o cão Bob, que viveu por cerca de dez anos em um cemitério de Taboão da Serra. Após sua morte, ele foi enterrado junto de sua tutora. A história ganhou repercussão justamente por expor a ausência de uma regra clara sobre esse tipo de situação, que vivia em uma "zona cinzenta" jurídica.
Como vai funcionar na prática?
A nova lei não libera o sepultamento de forma irrestrita ou desorganizada. O texto legal determina que devem ser rigorosamente respeitadas as normas sanitárias e ambientais de cada município. Caberá aos serviços funerários locais e às administrações dos cemitérios definir o procedimento técnico (como o tipo de urna ou invólucro necessário).
Regras para cemitérios particulares
Nos cemitérios particulares, a legislação garante autonomia para a criação de regras internas (regimento) sobre o sepultamento, desde que observem a legislação estadual e sanitária vigente. Todos os custos funerários relacionados ao pet ficam sob responsabilidade da família proprietária do jazigo.
Por que essa lei é um avanço jurídico?
- Evita sepultamentos irregulares (risco de contaminação do lençol freático e disseminação de doenças);
- Oferece uma alternativa acessível e digna além da cremação.
Conclusão
Do ponto de vista jurídico, trata-se de uma norma que acompanha uma realidade social já consolidada: os animais ocupam um lugar central na vida familiar. Sua aplicação prática dependerá da adaptação dos municípios e dos regulamentos dos cemitérios.
*Texto elaborado pela Doutora Denize Tonelotto. Permitida a reprodução, desde que citada a fonte.

